2021 vai passar voando: a Terra está girando mais rápido do que nunca.Leia

Guto 06/01/2021 Relatar Quero comentar

Parecia que 2020 nunca ia acabar, mas, tecnicamente, ele passou mais depressa que o normal. E este ano será ainda mais ligeiro. O motivo? A Terra tem girado estranhamente depressa ultima  mente. Por isso, pode ser que a gente precise adiantar nossos re lógios, mas você nem vai perceber.

No ano passado, foi registrado o dia mais curto da história, desde que foram iniciadas as medições, há 50 anos. Em 19 de julho de 2020, o planeta completou sua rotação 1,4602 milésimo de  segundo mais rápido que os costumeiros 86.400 segundos (24 horas).

O dia mais curto que até então se tinha registro aconteceu em 2005, e foi superado 28 vezes em 2020. E este ano deve ser o  mais rápido da história. Os dias de 2021 devem ser, em média 0,5 milissegundo mais curtos que o normal.

Essas pequenas mudanças na duração dos dias só foram descobertas após o desenvolvimento de relógios atômicos superprecisos, na década de 1960. Inicialmente, percebeu-se que a velocidade de rotação da Terra, quando gira em torno de seu próprio eixo resultando nos dias e noites, estava diminuindo ano após  ano.

Desde a década de 1970, foi necessário "adicionar" 27 segundos no tempo atômico internacional, para manter nossa contagem de tempo sincronizada com o planeta mais lento. É o chamado "leap second" ou "inserção de segundo intercalado". Essas   correções acontecem sempre ao final de um semestre, em 31  de dezembro ou 30 de junho. Assim, garante-se que o Sol sempre esteja exatamente no meio do céu ao meio-dia. A última     vez    que ocorreu foi no Ano Novo de 2016, quando relógios  no mundo todo pausaram por um segundo para "esperar" a     Terra. Mas  recentemente, está acontecendo o oposto: a rotação está acelerando. E pode ser que a gente precise "saltar" o tempo para    "alcançar" o movimento do planeta.Seria a primeira  vez na história que um segundo seria deletado dos relógios in  ternacionais.

Há um debate internacional sobre a necessidade deste ajuste e o futuro do cálculo do tempo. Cientistas acreditam que, ao lon go de 2021, os relógios atômicos acumularão um atraso de 19  milésimos de segundos.

Se os ajustes não forem feitos, levaria centenas de anos para uma pessoa comum notar a diferença. Mas sistemas de navegação e de comunicação por satélite —que usam a posição da Ter ra, do Sol e das estrelas para funcionar— podem ser impacta   dos mais brevemente.

Nossos "guardiões do tempo" são os oficiais do Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra (Iers), em  Paris, França. São eles que monitoram a rotação da Terra e os   260 relógios atômicos espalhados pelo mundo e avisam quan do é necessário adicionar —ou eventualmente deletar— algum segundo.

Manipular o tempo pode ter consequências. Quando foi adicionado um "leap second" em 2012, gigantes tecnológicos da época, como Linux, Mozilla, Java, Reddit, Foursquare, Yelp e            LinkedIn reportaram falhas.

A velocidade de rotação da Terra varia constantemente, dependendo de diversos fatores, como o complexo movimento de     seu núcleo derretido, dos oceanos e da atmosfera, além das in terações gravitacionais com outros corpos celestes, como a Lua. O aquecimento global, e consequente derretimento das calo     tas   polares e gelo das montanhas também tem acelerado a  movimentação.

Por isso, os dias nunca têm duração exatamente igual. O último domingo (3) teve "apenas" 23 horas, 59 minutos e 59,9998927  segundos. Já a segunda-feira (4) foi mais preguiçosa, com pou co mais de 24 horas.

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